Ecologia - Aracaju e o grito da natureza.


Ecologia - Aracaju e o grito da natureza
Quando criança vivi tempos áureos, alegres e uma das recordações mais felizes da minha infância foi o convívio diário com a Fauna e a Flora. Era muito bom olhar a gramagem verdinha e ver formigas, calangos e gafanhotos presentes. Gostava de observar a vida dos animais como se os estudasse, como se já naquela época me preocupasse com a extinção daquele convívio. Lembro que era possível encontrar fartamente vegetações como Quebra-Pedras, Crista de Galo, Tipis, Aroeiras, Vassourinha, Bredo, Manjongome, Capim Santo, Cidreira, Macambira, Mamona. Eram tantas espécies. Muitas medicinais, usadas para o fabrico caseiro de chás e que hoje já são estudadas nas Universidades para que se descubra o potencial de cura destas ervas. Havia também muitos animais a exemplo de Lagartixas, Calangos, Bem-te-vís, Cabeças, Gaviões, Urubús, Teiús, Sarigués. Os Pássaros eram de maior variedade. Conviviam bem em meio ao ambiente urbano. Tudo parecia estar em harmonia, apenas parecia. A destruição avançava lentamente com o pregresso.
Surgiram os primeiros complexos habitacionais denominados aqui de “Conjuntos”. Após o Conjunto Habitacional Paulo Barreto que na sua construção ocupou a antiga fazenda do Sr Abraão, vieram outros ainda maiores que começaram a por fim na Fauna e na Flora local. Começava a sumir o verde da cidade e com ele sumia os animais que ali faziam seu Habitat. Aracaju, que antes possuía riquíssima Bioadversidade, hoje encontra-se deespida de suas árvores avós, dos seus Parques enormes e dos Campos de futebol como o Campo do Palmeiras, um terreno onde hoje encontra-se Edificações construídas em fila na Avenida Nova Saneamento. Outro local devastado pelo progresso foi a região do antigo Campo do Vidro onde os populares reuniam-se para disputar partidas de futebol nos gramados existentes. As lagoas também sumiram, as fazendas foram todas ocupadas para dar lugar a Condomínios ou Conjuntos Residenciais como o Augusto Franco ou o Vivendas de Aracaju, este último mais recente e que ocupou a área da antiga Fábrica de Cimento.
Todas estas iniciativas trouxeram benefícios à cidade. Sim, é inegável que o progresso não venha e traga suas melhorias, mas em contrapartida a devastação do Meio Ambiente vem junto. Da pouca preocupação com a Bioadversidade a invasão dos Habitacionais alocou o homem no lugar dos animais e da vegetação, quebrando a harmonia e forçando a fuga ou conduzindo várias espécies à morte. Muito da Flora existente foi extinta sem que sequer fosse catalogada. O mesmo ocorreu com a Fauna. Hoje restam algumas áreas verdes ditas “preservadas”, mas que aos poucos vão sumindo também o que prova que para uns o dinheiro vale mais que a vida e em nome do prograsso destroem o Meio Ambiente construindo sem respeito algum com a Fauna e a Flora. Um exemplo, aliás mau exemplo de administração do planeta, uma ação que resultará em graves percas não só para vegetação e animais, mas também para o ser humano. Saudosa Aracaju dos meus tempos onde era possível ouvir o cantar dos pássaros debruçado na janela.

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