Crônica - Coisas que só Mamãe dizia.


Quando disse a você que mamãe era um verdadeiro sucesso na vizinhança, eu não inventei só porque ela era minha mãe. Na verdade Dona Mira era uma espécie de celebridade local por conta do seu bom humor, da solidariedade e do linguajar próprio. Não havia neste mundo quem não rachasse o bico ás gargalhadas quando mamãe abria a boca. Solícita, era sempre requisitada em festas, uma verdadeira animadora, mas acima de tudo sempre útil. Vários títulos foram dados a ela pelas indicações de ervas para a cura dos enfermos, pela prática de cuidados na assistência aos doentes e também pela teimosia em desobedecer ordens médicas, mas era pelo linguajar que Dona Mira era querida. Volta e meia algum morador vizinho a provocava em uma conversa só para ouvirem a linguagem peculiar dela. Separei aqui novas pérolas raras da mamãe para vocês:

- Banguina. Este adjetivo ela usava quando brincava de "xingar" alguém que lhe fazia raiva. É na verdade um xingamento sem pejo que significa "sem juízo".

- Alho. Este era o nome usado para referir-se a parte íntima feminina. Ela dizia desta forma: "Vá lavar o alho."

- Tubi. Também referencia a parte íntima feminina só que com uma conotação mais forte, quase um palavrão.

- Perseguida. Outra maneira de referir-se a genitália feminina só que desta vez com um pouco de humor.

- Colodino. Aqui a versão masculina da parte íntima, refere-se ao "saco."

- Quibas. O mesmo que testículos.

- Furico. O mesmo que Ânus.

- Chibungo. Aquilo ou aquele que não vale nada, sem utilidade, que não presta.

- Futriqueiras. Vizinhas que viviam fofocando na rua.

- Capiroto. Forma que ela denominava o diabo.

- Cacarecos. Quinquilharias, pequenos objetos que faziam parte de uma bagunça.

- Catrevagem. O mesmo que cacarecos.

- Bilunga. O nome que ela dava para o pinto dos bebês.

Vastíssimo era o linguajar daquela criatura alegre.Muitos ela criava na mesma hora, outros vinham da época da sua avó, mas o certo é que na boca da Dona Mira, o troço ficava divertido. Saudosa e inesquecível pelos seus feitos e sempre lembrada pelas suas palavras, mas imortal pela generosidade. Um exemplo de ser humano.

Texto do Escritor Brasileiro Tony Casanova. Direitos Autorais Reservados ao autor. Proibida a cópia, colagem, reprodução ou divulgação sem autorização expressa do autor sob pena de infração ás Leis Brasileiras de Proteção aos Direitos Autorais.
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