Nos braços do amor. [Tony Casanova].


"Nos braços do amor"



Que dor maior pode haver, que a dor que dilacera um coração partido? A dor que sente quem teve seu amor dividido. Que dor maior pode haver que aquela que nos faz chorar a perda de quem amamos. A dor que fura o peito de dentro para fora, que dói, dói, dói e nunca vai embora. Certamente não há o que doa mais que a saudade sentida durante a inesperada partida de alguém que muito amamos. Mas o coração, este menestrel inquieto, haverá de se conter diante da dor, frear seu descompasso e se contentar com a chegada da saudade bandida. Porque se tem algo inconteste, que não se pode descrever é a dor que pega doer, doer mais que a despedida.
Quem já amou sabe o que é sentir no peito o aperto das agulhadas malditas, pontadas dadas a esmo, todas sempre desferidas contra o coração de quem sofre. Se a dor já é insuportável, imagine tê-la dobrada por conta de palavras proferidas pela boca do nosso amor. Isto é o que causa a doença, a dilaceração, a dormência de quem vive de amor. No peito o coração pula, a vontade é de chorar as mágoas, mas o fim que se encontra nessa dor, nessa agonia é ter sempre a esperança da solidão por companhia.
Dos abraços apertados divididos fica somente os próprios braços, solitários, recolhidos numa tortura sem fim. É um caos antecipado, um caso quase pensado de quem já se apaixonou. Vive-se à lembrança do tempo em que se trocava beijos, nos olhares a paixão, os lampejos, o desejo, o furor. Mas esta é a sina infeliz de quem ama, viver de amor no presente sem a certeza do futuro, uma aposta no vazio, um tiro no escuro para fingir que acertou. As dores abafadas nos sorrisos amarelos, acreditando na vida pela metade, ocultando a dor que lhe invade, a certeza que o sofrer já chegou. Em tempo, nem tudo no amor é tão triste. Há nele algo que não desiste, não se cansa e nunca abre mão de ser feliz.
O amor, este velho insistente que mesmo na dor mais aguda, não sai de perto da gente, plantando a esperança de que a vida lhe trará alegrias. Por mais que a gente sofra, que tenha vivido agonias, não importa que seja agora, mas quem disse que existe dia e que para amar tenha hora? Amamos mesmo que isto signifique cair nos braços do choro, que seja sentir o peito doer e se tiver que ser por amor, ninguém abre mão de sofrer.

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