Arte - A linguagem da criação. [Tony Casanova]


Muita gente se pergunta como um artista consegue transmitir com tamanha riqueza de expressão, algo que nunca fora notado, detalhes que passaram despercebidos à visão geral. É uma explicação difícil, complicada, mas vou tentar trazer nesta matéria, como é possível e relativamente fácil para quem já nasceu com o dom de decifrar linguagens ocultas. Porque estou usando o termo linguagem? É simples; o cérebro precisa deste sistema complexo de códigos para criar algo concreto nas nossas mentes. É como a pixelização na Informática onde pontos pequeninos de cores primárias se misturam, originam cores secundárias e o resultado é uma imagem real a partir dos códigos existentes, mas que estão no seu estado nativo. A inspiração é o ponto de partida de todo artista. É quando os pontos pequeninos começam a surgir e após o processamento no cérebro, vão fundindo-se e originando aquilo que só o artista pode ler em sua mente. Após a fase da Inspiração onde a matéria-prima nasceu, o artista vai decidir sobre quais ferramentas deverá usar para conseguir com o máximo de fidelidade, a sua visão particular da obra. Escolhidas as ferramentas, agora ele deverá ser hábil o suficiente para não só saber manusear estas ferramentas, mas também reproduzir as nuances da “imagem” da obra criada em sua mente. Entendeu porque utilizei o termo linguagem? Porque primariamente a Obra encontra-se no formato de códigos na mente do autor, mas só a partir da ação de decifrar estes códigos é que ele terá uma imagem formada para então reproduzi-la.
Vamos então tentar entender de outra forma. Quando estamos dentro de um veículo em tempos de chuva forte, em geral o para-brisas embaça e não conseguimos decifrar a imagem à frente. Agora se você, com a ponta do dedo limpasse o para-brisa, certamente veria muito pouco do que há na verdade lá fora porque ficou apenas um ponto limpo em toda superfície embaçada do vidro. Este pontinho criado pelo dedo seria como um pixel da imagem. Se você acrescentar vários pontinhos a imagem irá se revelando. Quanto maior a quantidade de pixels, mais da imagem você vê, maior a sua definição. Assim ocorre na mente só artista. Vários “pixels imaginários” vão se misturando e tornando a imagem cada vez mais nítida até que finalmente ela surge. Um outro exemplo que, hipoteticamente eu poderia usar aqui é o das imagens propriamente ditas. Você já percebeu que algumas imagens conseguem transmitir um fato com tanta fidelidade que dispensam legendas? São imagens que falam por si, que possuem um recado cravado ali como registro de um momento que jamais será repetido, não no mesmo tempo, dia e local.
Eu sempre que estou reunido em conversa com artistas, costumo dizer que da obra que um artista apresenta, por mais linda que ela seja, o pedaço maior da beleza expressiva ficou presa na sua mente, ou seja, se pronta a obra mostra-se de uma beleza sem igual, esta beleza é ainda maior em seu estado original que flutua na inspiração do criador. Nem mesmo um artista, em seu melhor estado de inspiração é capaz de descrever exatamente o que se passa durante o processo de criação. É algo singular, muito individual, particular do criador, onde cada um irá parir o tão desejado filho como se ele fosse único e último, mas amará da mesma forma, todos que chegarem após ele.

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