Não existe "Terceira Idade." [Tony Casanova]


Honestamente eu não gosto muito dos termos “Mulher Madura”, “Terceira Idade”, “Melhor Idade” e vou dizer porque:
Em primeiro lugar não estamos falando de frutas, tipo mamão, melão, melancia para utilizarmos o adjetivo “Madura”. Estamos falando de pessoas, seres humanos, dignos de todo nosso carinho, consideração e respeito. Não acho que um rótulo seja apropriado para especificar uma mulher acima dos 50 anos. Experiente sim, madura não. Nós sabemos que não existe tempo para se “amadurecer”, digo com a conotação de Maturidade, que muitos morrerão sem antes ter conhecido o que é crescer na vida, visto que o temo está associado ao aprendizado praticado e acumulado ao longo da vida. A maturidade diz respeito as decisões, escolhas, opções, desta forma ninguém está “maduro”, todos estamos evoluindo constantemente neste aspecto. O tempo não pára após os 50 anos, ao contrário, ele inicia novas fases até o final da vida. Tendo em vista que o avanço do tempo se dá para todas as pessoas, tenham elas sido boas ou más, todas envelhecerão e o termo definido como “Mulher Madura” aplica-se a todas as pessoas, então ele está associado ao corpo e não à experiência adquirida. Assim proferi-lo torna-se um rótulo de pejo e não um elogio.
O que me referi acima é que alguém ainda na juventude poderá adquirir mais maturidade que muitos irão ter até o final da vida. Maturidade não tem associação com o tempo ou a idade e sim, como já disse, da capacidade de saber fazer escolhas e tomar decisões certas, ao passo que pessoas acima dos 50 anos, ainda que não sejam ou não tenham sido maduras, são dignas em qualquer situação. A menos é claro que se assuma publicamente que o termo “Madura” refere-se ao envelhecimento do corpo, o que seria de um acinte sem proporções. É um hábito comum no Brasil vivermos de rótulos criados por políticos, celebridades ou pessoas públicas, quando não anonimamente. Hábito péssimo e perigoso, que as vezes surte um efeito indesejado e resultado desastroso.
“Terceira Idade”. Que dizer deste rótulo então. Existe a quarta, a quinta, a sexta idade por acaso? Quem instituiu isto, o Ibope, o IBGE, o INSS? Estamos a contar as idades dividindo-as conforme nos convém. Que hipocrisia infeliz! Baseado em estudos que dizem que o ser humano tem uma longevidade de aproximadamente 100 anos em média, dividimos assim: Primeira idade dos nascimento aos 12 anos, segunda idade dos 13 anos aos 45 e a terceira idade dos 46 anos ao final da vida ou supostamente os tais 100 anos em média. Acredito que estas pessoas, técnicos, phds, doutores ou sei lá o que, devam ser proibidas de jogarem na Mega Sena. Eles acertariam o resultado, sem dúvida. Sabem tudo! Sabe de nada inocente! Rótulos a gente põe em mercadorias, em pessoas não.
“ Melhor Idade”. Que negócio é este de melhor. Dizem que é a melhor idade e vivem comprando Renew para não envelhecerem. Lotam as academias, implantam silicone, fazem cirurgias plásticas, tudo para esconderem a tal melhor idade. Que inverdade absurda. Fosse melhor todos aceitariam sem esconder a idade que tem. Eu conheço pessoas idosas que vivem felizes, alegres, satisfeitas sim, não por estarem na tal melhor idade, mas por estarem vivas. Este negócio de “Melhor Idade” é igual a “Menos Favorecido”, “Mais Carentes”. Conversa miúda, miolo de pote, conversinha. Ninguém precisa de rótulo para viver, mas de dignidade, de amor, carinho e respeito. É disto que aquelas pessoas acima dos 50 anos precisam. Que tal começar pagando uma aposentadoria justa e que seja de acordo com aquilo que foi pago como contribuição sem nenhuma redução? Que tal criar Instituições apropriadas para atendimento médico-hospitalar, psicológico e alimentar destas pessoas? Ai não tem verbas. O Estado está “quebrado”, o INSS sucateado, os cofres vazios. Enquanto isso o salário dos parlamentares....

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